O atirador que matou 32 pessoas e depois se suicidou na Universidade Virginia Tech, na segunda-feira, foi identificado pela polícia como Cho Seung-Hui, um sul-coreano que estudava na instituição.
A polícia afirmou, nesta terça-feira, que ele tinha 23 anos e que uma das duas armas recuperadas foi usada nos dois tiroteios no campus.
"A evidência não nos leva a dizer com toda certeza que o mesmo atirador estava envolvido nos dois tiroteios", disse em entrevista à imprensa Steven Flaherty, superintendente da polícia do Estado de Virgínia.
"É certamente razoável para nós assumirmos que Cho foi o atirador em ambos os lugares."
Na terça-feira, a polícia e dirigentes da universidade viram-se pressionados para explicar como um homem armado, após ter assassinado duas pessoas, conseguiu escapar para matar outras 30, duas horas mais tarde, no pior massacre do tipo já ocorrido nos EUA.
O agressor acabou se suicidando em uma classe da universidade depois de abrir fogo contra estudantes e funcionários, em um ataque aparentemente premeditado e realizado na manhã de segunda-feira, deixando o campus mergulhado em pesar e choque.
"Nem sei se algum dos meus amigos foi morto porque foi muito difícil entrar em contato com as pessoas na noite passada", afirmou na terça-feira de manhã Brittany Jones, 19, uma estudante da universidade.
"Mas, mesmo que não haja, isso não seria menos triste. A gente não espera que isso vá acontecer na escola da gente. Eram apenas garotos", afirmou enquanto assistia a exercícios realizados pela guarda militar da universidade antes das aulas.
O presidente dos EUA, George W. Bush, e a mulher dele, Laura Bush, devem comparecer a uma cerimônia a ser realizada na universidade à tarde.
Imagens de TV mostrando os estudantes aterrorizados e a polícia arrastando corpos ensanguentados lembraram o massacre na escola de Columbine, em 1999, e reacenderam o debate sobre as leis de controle de armas no país.
A polícia afirmou que o agressor parecia ter usado correntes para trancar as portas, impedindo as vítimas de escapar. Além dos mortos, 15 pessoas ficaram feridas, entre as quais os que receberam tiros e os que se machucaram pulando de janelas para fugir do tiroteio.
"Há pessoas feridas na perna, no braço, na cabeça e no rosto. Há os que estão em situação mais delicada, que receberam um tiro no rosto ou na cabeça. Há os que foram atingidos no peito, na perna, no braço. Ele estava simplesmente atirando para matar", disse à Reuters Joseph Cacioppo, um médico que atendeu os feridos.
Muitos estudantes mostraram-se indignados devido ao fato de não terem sido alertados a respeito do perigo até duas horas depois do primeiro ataque em um dormitório, quando apenas um email foi enviado pela universidade.
A notícia sobre os primeiros disparos chegou à polícia do campus por volta das 7h15 (8h15 em Brasília). O episódio aconteceu no West Ambler Johnston Hall, um dormitório que abriga cerca de 900 estudantes.
Duas horas depois, vários tiros foram disparados a cerca de 800 metros de distância dali, no Norris Hall, onde fica a faculdade de ciências e engenharia.
(Por Andrea Hopkins, Patricia Zengerle e Frances Kerry)
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