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Festival de cinema brasileiro em Israel chega à Cisjordânia
01/08/2007 - BBC Brasil - Guila Flint
 
Começa, nesta quarta- feira, o sétimo Festival de Cinema Brasileiro em Israel e, pela primeira vez, filmes brasileiros serão mostrados também na cidade de Ramallah, maior cidade inteiramente palestina, na Cisjordânia.
"Há anos que tenho este sonho, de ampliar o festival e levar os filmes brasileiros ao público palestino, porém, em vista da situação política, não foi fácil realizá-lo", disse o produtor do festival, Salomão Ghelfgot, à BBC Brasil.

"Este ano finalmente vai haver um início da concretização desse sonho."O documentário Vinícius, de Miguel Faria Jr., será mostrado na única cinemateca dos territórios palestinos – no teatro Al Kassab, em Ramallah.

Além do futebol

Suad Rishmawi, a coordenadora do Al Kassab, disse que a apresentação do cinema brasileiro ao público palestino é importante "tanto do ponto de vista cultural quanto político".

"Os palestinos sabem muito do futebol brasileiro, mas pouco sobre a cultura, e além disso, para nós, realizar o festival aqui em Ramallah também é uma forma de lutar contra as barreiras e o fechamento gerados pela ocupação", afirmou a coordenadora.

O festival vai durar três semanas e será realizado em três cidades grandes – Tel Aviv, Jerusalem e Haifa – e em duas cidades menores – Rosh Pina, no norte, e Sderot, no sul – além de Ramallah.

De acordo com Ghelfgot, os 15 filmes que serão mostrados, representam a produção cinematográfica brasileira de 2006 e 2007.

'Vinícius' será mostrado na única cinemateca em Ramallah

"O público terá a oportunidade de ver filmes que trazem um retrato da cultura e da sociedade brasileira. A mostra será variada e dará espaço para as gerações mais jovens dos cineastas brasileiros", disse ele.

Entre os filmes do festival estão O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger, O Céu de Suely, de Karim Ainouz, Proibido Proibir, de Jorge Duran, e O maior amor do mundo, de Cacá Diegues.

O festival é muito afetado pela situação política nesta região sensível do mundo.

No ano passado as mostras em Haifa e Rosh Pina, que ficam no norte do país, tiveram que ser canceladas, pois essa região foi alvo de centenas de mísseis disparados pelo Hezbollah durante a guerra do Líbano.

Porém, apesar da guerra, o público do festival em 2006 foi de mais de 18 mil pessoas.

Mensagem política

De acordo com Moira Pinto Coelho, responsável pelo setor cultural da Embaixada do Brasil em Tel Aviv, o festival de cinema é o mais importante evento cultural brasileiro realizado em Israel, "tanto por seu impacto junto a um grande público, como por sua continuidade, este já é o sétimo festival e (o evento) já criou uma tradição".

Segundo o embaixador do Brasil, Pedro Motta Pinto Coelho, o festival também traz uma mensagem política de paz aos povos desta região.

"Com o festival nós enviamos uma mensagem de paz e integração, já que será realizado simultaneamente em Israel e nos territórios palestinos. O Brasil quer ampliar sua presença aqui na região e além do trabalho diplomático damos muita importância à divulgação da nossa cultura", disse Motta.

O filme que vai abrir o festival tanto em Tel Aviv como em Haifa é O ano em que meus pais saíram de férias.

"Esse filme me tocou profundamente, pois tem muito a ver com a minha história pessoal e por isso o escolhi para abrir o festival", disse o produtor Salomão Ghelfgot.

Ghelfgot, de 60 anos, mora em Israel desde o início dos anos 70, quando saiu do Brasil na época da ditadura militar.

"Sou da geração dos pais que saíram de férias", disse ele.
 
 
 
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