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Escolha por falante nativo da língua é 'pura discriminação'
10/07/2007 - Charlotte Huisman
 
   Ele sabe de cor 38 mil orações em francês. Ele se define como um 'franco fanático', 'o que vai além de francofílico'.
   O professor de francês Tom Polak (50), da cidade de Huizen está convencido: seu domínio do francês é tão bom quanto o de um falante nativo da língua. E, diz ele: talvez ainda melhor. Por isso, afirma Polak, é um escândalo e até 'pura discriminação', que muitos institutos de língua mencionem a exigência de falante nativo da língua para preencher  suas vagas para professor. Ele foi à Commissie Gelijke Behandeling (Comissão para a Igualdade de Tratamento) e acusou o instituto Talent Talen dessa prática. A comissão vai dar o seu parecer a respeito do caso neste mês.

   Polak fala de um processo experimental,  que pode causar consequências para o ensino de língua. Ele não consegue arrumar emprego, mesmo com anos de experiência na área da educação. Isto está acontecendo, segundo ele, principalmente por causa dessa exigência "sem fundamento".  'Eu pratico a língua algumas horas por dia, eu vejo como a língua se desenvolve. Os falantes nativos da língua que moram na Holanda há muito tempo lecionam a sua língua materna de vinte anos atrás.'

   'Eu me sinto ofendida por este caso', reage Gisa Muniz (42)  fundadora e diretora do Instituto Talent Talen. Depois que terminou o curso de Letras (Português/Inglês) em São Paulo, ela emigrou para a Holanda, onde passou a ensinar Português. Seu instituto de línguas tem no momento mais de 120 freelancers à sua disposição, falantes nativos da língua com licenciatura. 'Eu acredito nisso. Alguém que fala e ouve a língua desde que nasceu tem melhor qualidade. E isso não tem nada a ver com nacionalidade, um holandês, por exemplo, que tenha sido criado em Moçambique, é falante nativo do português.  É diferente de um holandês que tenha estudado a língua na universidade. Eu moro há dezessete anos na Holanda, falo bem o Holandês, mas jamais colocaria na cabeça a idéia de dar aulas de holandês.'

    Muniz não precisa procurar professores: estrangeiros batem na sua porta para dar aulas da sua própria língua. 'Eu estaria discriminando um francês se, em vez dele, admitisse um holandês para dar aulas de francês.' Muniz acha principalmente um absurdo a acusação de discriminação. 'As pessoas vão me acusar disso? Eu sou discriminada até no supermercado, onde falam comigo de modo diferente de como falam com um holandês.' 
 Fonte: JORNAL DE VOLKSKRANT, ECONOMIA
 
 
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