O bom velhinho é o resultado da fusão do folcore de vários países Quem nunca acreditou em Papai Noel? Um velhinho com roupas vermelhas, barba branca, cinto e botas pretos que passa de casa em casa para deixar presentes às famílias. De geração em geração, a lenda renova-se. Mas de onde surgiu este personagem que embala a imaginação do mundo ocidental há séculos? A figura do Papai Noel mistura-se com o folclore de vários países e possui diversas origens. A celebração do Natal – antes uma festa para celebrar a fertilidade, pedir boas colheitas, apaziguar os deuses e saudar o Sol – tem a sua origem quase mil anos antes do nascimento de Jesus Cristo entre os povos da Mesopotâmia, região hoje ocupada pelo Irã e o Iraque. Mas só no século 13 ele é incorporado pela Igreja Católica, que relacionou a sua figura a São Nicolau, às crianças e ao hábito de dar-lhes presentes. O santo nasceu no século 3, em Patras, então parte da Grécia – hoje pertence à Turquia – foi bispo de Mira e tinha o hábito de ajudar secretamente pessoas necessitadas com saquinhos de moedas jogadas pela janela. Nicolau costumava ir presentear as crianças com as suas roupas de bispo e montado num burro. A fama da sua generosidade correu o mundo. Então no dia de São Nicolau, 6 de dezembro, passou a ser hábito presentear as crianças com doces. Mais adiante a Igreja Católica propôs que São Nicolau entregasse os presentes no dia 25 de dezembro, tal como os reis magos fizeram com o menino Jesus. SANTA CLAUS – A expansão do cristianismo na Europa difundiu a ideia de um Papai Noel semelhante a São Nicolau: um homem de barbas brancas, com roupa de bispo, um saco nas costas e montado num burro. Antes a lenda na Alemanha, Bélgica e Holanda atribuía ao deus Wodan a distribuição de doces e presentes às crianças. À noite elas deixavam as suas botas forradas com palha, cenouras ou açúcar perto da chaminé, para o cavalo Seipnir, montado por Wodan, comer. Com a chegada do cristianismo, Wodan foi substituído por São Nicolau. As duas lendas fundiram-se e São Nicolau passou a ser representado por um homem bonachão, gordo – o original era magro – de barbas brancas, roupa de bispo e montado num cavalo voador. No século 17 a tradição chegava aos Estados Unidos trazida pelos colonizadores ingleses, holandeses e alemães. Papai Noel era chamado pelos alemães de Kriss Kringle. Para os ingleses era Father Christmas, de onde origina-se o nome Pai Natal, usado até hoje em Portugal. Ele era caracterizado por um homem gordo de barbas vestido com um casacão verde de pelo. Mas a celebração do Natal passou a ser proibida pelos puritanos na Inglaterra e nas colônias no século 17, sob a alegação que de que a data estava perdendo o seu caráter religioso para tornar-se apenas uma barulhenta festa materialista, dedicada a danças e comilanças. Então os hábitos de duas outras colonizações predominaram.
Em New Amsterdam, nome original de New York, os holandeses eram maioria. E foi do idioma holandês que se originou o nome Santa Claus, derivado de Sinterklaas, uma forma abreviada de dizer Sint Nicolaas ou São Nicolau. Os alemães introduziram o hábito de decorar pinheiros. Em 1809 o escritor Washington Irving publicou um livro em que ele retratava Santa Claus como um gordo marinheiro holandês bonachão, bondoso, com um cachimbo na boca, trajando um casacão verde de inverno e montado num cavalo voador jogando presentes pelas chaminés. RENAS – Clement C. Moore publicou em New York em 1823 o poema A Visit from St. Nicholas. Nele, pela primeira vez, Santa Claus estava acompanhado de oito renas, cada uma com um nome. Naqueles tempos, Santa Claus era apresentado nos EUA com roupas de cores variadas, diversos tamanhos e aparências que variavam desde um gnomo jovial a um homem sisudo. Ele passou a ter uma aparência mais definitiva através das ilustrações de Thomas Nast na revista Harper’s Weekly entre 1863 e 1886. Inicialmente ainda como um gnomo entrando pelas chaminés, a sua aparência foi ficando mais humana através dos anos, inclusive com a barba branca. A roupa vermelha consagrou-se através de um popular cartão de Natal criado nos EUA por Louis Prang em 1885.
A partir de 1840 um Papai Noel de roupas cinzentas e gorro vermelho passou a distribuir presentes às crianças na Noruega, Dinamarca, Finlândia e Suécia. Era a substituição da tradicional cabra de Natal, vinda da mitologia nórdica, por uma figura humana. No Brasil, a figura do Papai Noel foi introduzida pelos imigrantes alemães, portugueses e italianos no século 19. Mas o nome vem de Père Noël, pois a influência cultural francesa predominava no país na época. No final do século 19 a Lomen Company criou um anúncio em revistas dos EUA mostrando Santa Claus vindo do Alaska num trenó puxado por renas, popularizando a imagem que existe até hoje. COCA-COLA – Desde 1915 Santa Claus era usado em propaganda de bebidas nos EUA. Mas foi a massiva campanha publicitária da Coca-Cola, desenhada por Haddon Sundblom, que deu ao Papai Noel em 1931 as suas características atuais: roupa vermelha e branca, botas e cintos pretos. A imagem de velho bonzinho e generoso foi reforçada por entidades filantrópicas como o Exército da Salvação, que utilizam voluntários fantasiados de Santa Claus para as suas atividades de angariação de doações e distribuição de presentes. Os filmes de Hollywood encarregaram-se de popularizar e perpetuar a imagem definitiva. Embora famoso, o Papai Noel não é unanimidade mundial. Em países asiáticos e de religião muçulmana ele não é reconhecido. O mesmo ocorre com diversas denominações cristãs, que entendem ser ele uma manifestação puramente pagã e materialista.
Na Hungria e na Polônia, Papai Noel distribui doces e chocolates no dia de São Nicolau. Os presentes de Natal são dados por um anjo. Independente dos costumes, para as crianças, o bom velhinho sempre representa a alegria de ganhar presentes.
Fonte: Brazil Today - Dez 2007 Ano 16 - Numero 220
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