Pressão alta, dor de cabeça, insônia, olheira, estresse, tudo isso por apenas um dia de encantamento. Casamento no cartório com roupas novas e cabelos feitos, decoração impecável na igreja, cerveja a vontade e música até altas horas. A trajetória de uma noiva até o dia tão sonhado é uma prova de fogo, de paciência e de amor.Ela prepara tudo com o máximo de antecedência possível, mas a pouco menos de duas semanas para o casamento ainda tem muito abacaxi para descascar.Para piorar, seu noivo ainda não escolheu a roupa que irá vestir e seu decorador dá pra trás.As idéias e expectativas vão longe, mas o dinheiro é raspado do tacho.Parece que nada vai funcionar, nem mesmo o que já foi acertado. O nervosismo é tanto que a intenção se torna desistir de tudo, menos do marido. Casa nova, móveis e eletrodomésticos ainda nas embalagens plásticas,cama de casal,lua-de-mel, enfim sós.Esse dia tão esperado se atrasa para chegar quando a vontade é casar. É quase enlouquecedor imaginar com quantos detalhes uma noiva tem que se preocupar e organizar. Padrinhos convidados por consideração a amizade, outros por proximidade como os parentes, alguns por dinheiro e ainda por supetão.Casamentos durante o dia ou de noite, ao ar livre ou dentro de algum ar abafado, a beira mar ou na fazenda. Noivas de branco, de bege, de vermelho. Floristas que não jogam flores, damas de honra que não querem entregar a aliança, crianças que choram enquanto o padre faz a cerimônia, avós que desmaiam em meio ao calor. Igreja sem sino,saída sem arroz,carro sem gasolina, noivos sem despedida, vida sem volta, teoricamente. De tanto tentarem fazer com que tudo corra perfeito, podem até perder o amor do peito. O amado se torna odiado, o sonho se transforma num pesadelo,as noites para curtir os últimos dias de solteirice são agora dias de solidão. Ela não suporta ninguém e ninguém a suporta. Exageradas? Podem até ser, mas nenhuma daria seu lugar para outra fazer. (Crônica de Rakel Dhein - 2009)
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