Falsa promessa de emprego atrai brasileiros ao Japão Falsas promessas de emprego, muitas delas publicadas em jornais e sites do Brasil, estão atraindo muitos brasileiros ao Japão, país que sofre com a falta de vagas por causa da crise econômica. Desempregado no Brasil, Rubens Valdir Ramos, de 40 anos, enxergou num destes anúncios a oportunidade para dar melhor condição de vida à família. Financiou um empréstimo de R$ 16 mil no banco e veio ao Japão com o filho mais velho, Ricardo, de 19 anos, deixando outros quatro filhos e a esposa em Jundiaí (SP). Porém, os planos tão bem traçados pelo trabalhador tomaram novo rumo quando, ao chegar em Ishige, na província de Ibaraki, descobriu que havia outros brasileiros aguardando para serem encaixados numa vaga de emprego. Falsas promessas de emprego, muitas delas publicadas em jornais e sites do Brasil, estão atraindo muitos brasileiros ao Japão, país que sofre com a falta de vagas por causa da crise econômica. Desempregado no Brasil, Rubens Valdir Ramos, de 40 anos, enxergou num destes anúncios a oportunidade para dar melhor condição de vida à família. Financiou um empréstimo de R$ 16 mil no banco e veio ao Japão com o filho mais velho, Ricardo, de 19 anos, deixando outros quatro filhos e a esposa em Jundiaí (SP).Porém, os planos tão bem traçados pelo trabalhador tomaram novo rumo quando, ao chegar em Ishige, na província de Ibaraki, descobriu que havia outros brasileiros aguardando para serem encaixados numa vaga de emprego."O pior é que não podemos nem procurar emprego por conta própria, pois não há vagas em lugar nenhum. Além disso, se fizermos isso, somos obrigados a deixar o alojamento e corremos o risco de perder todo o dinheiro investido", conta Shibata.
Várias vítimas
Rubens e Cássio não foram as únicas vítimas. Outro grupo de oito pessoas, da cidade de Mitsukaido, também na província de Ibaraki, diz ter sido vítima do mesmo golpe. "Mas há muito mais gente, só que eles têm medo de denunciar", conta Alex, de Londrina (PR), que também viu uma oportunidade para melhorar de vida quando leu um anúncio que garantia colocação imediata no Japão. Ele já esteve no país anteriormente e chegou a achar estranho os trâmites desta vez, pois teve de pagar tudo à vista. "Antigamente, o dekassegui pagava o financiamento com trabalho, pois eram descontadas as parcelas diretamente do salário", lembra o brasileiro, que pagou R$ 4.200 e ficou com uma dívida de US$ 1.800. Alex e a esposa Adriana chegaram ao arquipélago em fevereiro. Ficaram parados por dois meses e, cansados de esperar, foram atrás de um emprego. Conseguiram, mas tiveram de deixar o alojamento da empresa.
Primeira vez
O ex-recreador infantil E., 27 anos, da Grande São Paulo, chegou com a família em fevereiro deste ano ao Japão. É a primeira vez que eles saem do Brasil e, para isso, fizeram uma dívida no banco de R$ 26 mil. "A gente acompanha as notícias e sabíamos que o Japão estava em crise, mas como pagamos pela garantia de emprego, não achei que fosse ser enganado", conta o brasileiro, que não pensa em voltar ao Brasil tão cedo. "Se eu voltar, mesmo que consiga um emprego, nunca vou conseguir pagar a dívida. Aqui, pelo menos, a gente ainda tem uma esperança de que os empregos reapareçam", diz. Luiz Kubo, de 51 anos, e o colega Francisco Masaiki Ishikawa, de 55, também têm esperanças ainda de conseguir emprego. "Fui procurar ajuda da prefeitura, mas a verdade é que não vim aqui para ficar pedindo esmola", desabafa Kubo. "Eu me sinto como se tivesse sido desovado no Japão", fala Ishikawa, que veio com esposa e filhos. "Em cinco meses eles me mudaram nove vezes. Faziam isso para que não contássemos nada aos que estavam chegando", sugere o brasileiro. "Caí numa armadilha", resume.
Autoridades Sem saber o que fazer e a quem recorrer, o grupo de Mitsukaido procurou, em abril, a ajuda do Consulado-Geral do Brasil em Tóquio, que passou a acompanhar o caso de perto e está dando assistência aos trabalhadores. Desde então, o consulado também colocou um alerta no site, pedindo cautela aos que pensam em vir ao Japão. "Os contratos firmados com as empreiteiras que arregimentam mão-de-obra no Brasil devem ser mais detalhados e definir com precisão as responsabilidades das duas partes", diz um dos itens. "Lembre-se de que as empreiteiras são empresas que lucram com a contratação de trabalhadores no Brasil e que, muitas vezes, não cumprem suas responsabilidades e nem sempre apresentam a realidade", diz ainda o alerta do consulado. Fonte: BBC Brasil
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