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Bolha do cartão de crédito já estourou
19/08/2009 - Por Redação, com DW - de Berlim
 
Comprar com cartão de crédito e só pagar no fim do mês – uma prática bem comum sobretudo nos Estados Unidos – não necessariamente oferece riscos, desde que a economia funcione. Com a crise financeira esvaziando os bolsos, muitos norte-americanos não conseguem mais quitar suas dívidas, causando prejuízos para as operadoras de cartões. Trata-se de mais do que apenas uma questão de conforto.
– Os norte-americanos usam cartões de crédito para financiar um estilo de vida do qual não se podem dar ao luxo. Compram roupas e produtos caros, e gastam demais para sair à noite – critica o especialista em crédito John Ulzheimer, do portal credit.com.
Com a crise e a queda da conjuntura econômica, muitos estão desempregados e têm dificuldade de pagar hipotecas ou mesmo de sobreviver. Ou seja: Em muitos casos, dependem dos cartões de crédito. Com a queda do valor de imóveis, nem mesmo a casa própria serve de garantia. O limite dos cartões é ultrapassado rapidamente e o consumidor se vê diante de taxas de juros de até 20%.
– No final, o consumidor acumula dívidas e perde a segurança quanto à sua propriedade, e o desemprego aumenta. Isso tudo leva a um desastre. Não só para o consumidor, mas também para as operadoras – explica Ulzheimer.

Bolha
Até 2010, os 19 maiores bancos norte-americanos preveem perdas de aproximadamente US$ 82 bilhões no setor de cartões de crédito. Isso corresponde a um décimo do total de US$ 900 bilhões de dívidas em circulação, de acordo com a avaliação do FED, banco central dos EUA.
– A bolha já estourou. Há três anos, a parcela de dívidas não pagas correspondia a 3%; hoje ela é de mais de 10%. E, assim como o número de bancos falidos, a tendência é de aumentar cada vez mais, caso o desemprego se mantenha na marca de 10% ou a ultrapasse – avalia Ulzheimer.
As primeiras operadoras já reagiram, passando a oferecer cartões de créditos só após um minucioso teste de credibilidade e reduzindo o limite de cartões já ativos. A American Express chegou a oferecer até 300 euros aos clientes dispostos a devolver seus cartões.
Já na Europa, o temor dos bancos se restringe a créditos empresariais. Quanto aos cartões de crédito, ao menos na Alemanha e no resto da Europa continental, parece não haver motivos de preocupação.
– Não vejo esse risco na Europa. Nos Estados Unidos, o consumidor médio possui de 3 a 5 cartões de crédito e os utiliza de fato para obter empréstimo. Os americanos financiam seus gastos através dos cartões. Na Alemanha, a coisa é completamente diferente – diz Peter Ehmke, presidente da Mastercard na Alemanha, alegando como causa diferenças estruturais.
Segundo afirmou, enquanto nos EUA os cartões servem de revolving cards, ou seja, são usados para parcelar e administrar as dívidas, 90% dos cartões de crédito na Alemanha são usados como charge cards, ou seja, sua dívida é quitada integralmente no final de cada mês.
– Nos EUA, os consumidores pagam apenas 5%, 6% ou 7% da dívida no fim do mês. O resto é passado adiante – diz Ehmke.
Matthias Höhnisch, diretor da unidade de cartões da cooperativa alemã de crédito Volksbanken-Raiffeisenbanken, confirma que os alemães se controlam muito mais:
– Usar um cartão de crédito para quitar a dívida de outro é algo que praticamente não acontece.
Na Europa continental, as operadoras geralmente não se endividam. Com exceção da American Express, todas as demais operadoras se veem como prestadoras de serviços entre bancos e clientes, garantindo que haja aceitação suficiente dos cartões em lojas, restaurantes e clubes noturnos. Quando a receita do cliente cai e os gastos se mantêm altos, são os próprios bancos que reagem, não as operadoras.
– Aí podemos alterar a linha de crédito do cliente, tratando do assunto diretamente com ele – conta Höhnisch.
No entanto, isso não vale para o Reino Unido, onde vigora o sistema americano. Lá, clientes de bancos e portadores de cartões de crédito usam e abusam dos cartões. E as operadoras também passam a ter cada vez mais problemas com a quitação das dívidas.

Fonte: Jornal Correio do Brasil

 
 
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